quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Imprevistos de início de ano

A previsão para o início do monitoramento dos fungos ectomicorrízicos era Janeiro, mas alguns imprevistos me obrigaram a adiar o início da rotina de coleta nas parcelas. Obviamente, a iminência do nascimento da minha primeira filha me convida a ficar em Manaus, ainda mais que essa futura mãe nunca foi tão filha. Mas isso não é um imprevisto. O que eu não pude prever foram dois fatos que atrasaram o início da amostragem: pequenos acidentes de moto e a fuga em massa dos detentos do Compaj.


A escolha de usar uma moto para acessar as áreas de estudo diariamente a partir de Manaus garante um baixo custo de deslocamento e, até onde eu imaginava, a perspectiva de enfrentar os ramais (estradas não pavimentadas) sem muito problema. Na maior parte dos dias, quando está seco ou chovendo, é tranquilo trafegar os 40 km de barro para ir e os outros 40 para voltar. Mas em determinados momentos, principalmente depois que chove e começa a secar, o barro gruda nos pneus de uma forma que reduz o atrito com o chão e quando se percebe a queda já é tarde. Em dezembro caí três vezes seguidas em menos de 500 m (video acima), então resolvi trocar os pneus originais para pneus de trilha. Tudo mudou! Realmente saber quais equipamentos usar e como ajustar os detalhes para aumentar a segurança faz a diferença, ainda mais quando o caminho do trabalho é uma trilha na Amazônia. Tenho certa experiência com mountain bike e acredito que a transição para a moto, mais pesada e veloz, está sendo tranquila. Tudo ia bem, até que semana passada após um longo dia de trabalho nas campinaranas embaixo de chuva intensa, estava passando em um trecho do ramal do Novo Amanhecer que é uma vala imensa, uma descida inclinada seguida de uma subida tão inclinada quanto. Nessa parte, uma camada muito fina de asfalto sobre o barro liso está na sombra e permitiu que um limo crescesse sobre ele. Quando úmido esse limo é extremamente escorregadio. Antes mesmo de descer a ladeira, parei a moto para ver como estava o piso. Estava muito liso. Resolvi descer da moto e com os dois pés no chão fui caminhando bem lentamente com o máximo de cuidado ao lado da moto. Após alguns passos, nem meus pés nem os dois pneus da moto tiveram como resistir à gravidade e descemos todos juntos uns 20 m escorregando ladeira abaixo até a moto sair do meio da pista e se chocar contra um barranco. Antes do choque me joguei, está tudo certo comigo, mas a cada queda dessa uma parte da moto se escangalha e assusta um pouco o condutor pela imprevisibilidade das condições do ramal para circular. Em breve devo retornar ao campo de moto, mas outro motivo me levou a adiar um pouco o monitoramento.

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No início do ano, ocorreu uma rebelião no Complexo Penitenciária Anísio Jobim (Compaj) que deixou 56 detentos mortos e centenas de fugitivos. O Compaj fica a alguns quilômetros da entrada do ramal do Pau Rosa, por onde eu acesso os outros ramais que me levam à área de estudo. Até a Força Nacional está por ali. Embora alguns detentos já tenham sido recapturados, a maior parte ainda está foragida e toda recomendação é por cautela. Já capturaram ao menos 5 detentos somente no Pau Rosa, mas meu receio é que, além do risco de encontrar os fugitivos, haja o risco de que eu trabalhando sozinho no mato possa ser confundido pela polícia ou algum morador. É óbvio que eu converso com todos os moradores da comunidade, mas nem sempre os encontro antes de entrar nas áreas de mata. Então, de certa forma, é melhor esperar.

A boa notícia é que, enquanto isso não acontece, existe Brayan Break, um jogo inspirado na fuga de um dos detentos.

Tela de Brayan Break.

Um comentário:

  1. Caramba Sassa!! Ainda bem q tava devagarinho....muito bom o texto! Nunca vamos desistir, coragem na decifração dos cogumelos das campinas! :) Um dia te acompanho num campo desse

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